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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Cazuza, 20 anos de luto - A história de um poeta

A matéria abaixo foi realizada em homenagem ao cantor Cazuza, para o Jornal da Cidade Brooklin.

No dia 07 de julho de 1990, perdíamos um enigmático poeta da Música Popular Brasileira. Cazuza, eternizado por letras engajadas e críticas sobre o amor, sofrimento, dor e sobre o próprio país e conhecido por sua ideologia de mudança e pelo modo exuberante de viver a vida ainda vive na memória e no coração dos mais velhos e é fonte de inspiração e admiração para os mais novos.
Filho de João Araújo, divulgador da gravadora Odeon e futuro presidente da Som Livre, e de Lúcia Araújo, Agenor de Miranda Araújo Neto, imortalizado no nome de Cazuza nasceu no dia 04 de abril de 1958, na cidade do Rio de Janeiro, e desde a infância esteve envolvido com a música.
O astro estudou em um colégio de padres jesuítas e devido à vida boêmia que começara quando tinha apenas 15 anos de idade, teve dificuldades de concluir o Ensino Médio.
Aos 18 anos de idade Cazuza iniciou sua careira no meio musical, porém não como cantor e intérprete, mas como funcionário do departamento artístico da gravadora Som Livre. Lá Cazuza realizou trabalhos como triagem de fitas e assessoria de imprensa de cantores. Pouco tempo depois começou a trabalhar como divulgador de artistas da gravadora RGE.
Cazuza só teve a certeza de que ele tinha nascido para cantar e ser intérprete quando realizou um curso de teatro ministrado pelo ator Perfeito Fortuna e no ano de 1981. Indicado pelo cantor Léo Jaime, conheceu a banda Barão Vermelho no qual passou a fazer parte integrante do grupo juntamente com Roberto Frejat, Dé, Maurício Barros e Guto Goffi. Com pouco tempo de banda Cazuza revelou letras que compôs e, rapidamente, a banda deixou de ser cover para compor e organizar um repertório próprio.
Em 1982, com cerca de um ano da nova formação do grupo, chegou aos ouvidos de Ezequiel Neves, produtor musical, e Guto Graça Mello, diretor artístico da Som Livre, uma fita demo da banda Barão Vermelho, daí para frente o grupo musical sob liderança de Cazuza iria adquirir várias conquistas.
Ezequiel Neves e Guto Graça Mello foram os responsáveis por convencer o pai do cantor, João Araújo a lançar o Barão Vermelho. O primeiro álbum cujo título leva o nome da banda teve baixíssimo orçamento e foi gravado em apenas 48 horas. Já no primeiro álbum “Todo amor que houver nessa vida” obteve destaque e posteriormente seria gravada por grandes nomes da Música Popular Brasileira.
Em julho de 1983, a banda lançaria “Barão Vermelho 2”, que trazia a música que consolidou de vez a parceria entre Roberto Frejat e Cazuza.
No ano seguinte após a banda ter estourado com “Bete Balanço”, música que leva o nome do filme de Lael Rodrigues, Barão Vermelho lançou seu terceiro álbum chamado “Maior abandonado”, atingindo a conquista do primeiro disco de ouro da banda.
No início do ano de 1985, Barão Vermelho realizou a abertura do festival Rock’n Rio com sucesso e após várias discussões e desentendimentos internos na banda foi impossível evitar a separação do grupo e ainda no mesmo ano Cazuza, lançou o primeiro álbum solo da carreira que levou o próprio nome. O álbum “Cazuza” foi destaque na crítica e dos fãs com “Codinome beija-flor” e “Exagerado”.
O segundo álbum do artista viria após dois anos e foi o primeiro álbum do cantor fora da Som Livre, “Só se for a dois”, foi lançado pela Polygram e contaria com os sucessos “O nosso amor a gente inventa” e a canção-título.
Antes de estrear o show do novo álbum, Cazuza adoeceu e foi submetido a um exame de HIV, obtendo a confirmação da presença do vírus no corpo. Pouco tempo depois, a situação do cantor e intérprete se agravou, onde em outubro de 1987 ele foi internado em uma clínica médica em Boston, Estados Unidos.
Quando retornou ao Brasil, no início de 1988, lançou “Ideologia”, que vendeu cerca de 500 mil cópias. Um dos grandes sucessos do álbum, alvo de elogios, foi a faixa-título Ideologia imortalizando o estilo de vida do cantor e a sua vontade de mudança com os versos “... Ideologia, eu quero uma para viver...”
No mesmo ano Cazuza conquistou o Prêmio Sharp de música como melhor cantor pop-rock e melhor música pop-rock. No segundo semestre daquele ano Ney Matogrosso dirigiu uma das mais emblemáticas apresentações de Cazuza, com o terceiro álbum da carreira solo.
No início de 1989, o astro do rock nacional lançou um álbum ao vivo intitulado “Cazuza ao vivo – o tempo não pára”, trazendo músicas inesquecíveis como, a faixa-título, de Cazuza e Arnaldo Brandão e “Vida louca Vida”, de Lobão e Bernardo Vilhena. Ainda no mesmo ano Cazuza lançou outro álbum, o último de uma carreira marcada pelo entusiasmo, alegria, interpretações magníficas, letras marcantes, festas e drogas.
O álbum duplo de nome “Burguesia” trazia o Cazuza na versão rock, com músicas mais agitadas e na versão MPB, com músicas mais calmas e apesar da faixa que leva o título do álbum ter tocado em algumas rádios, não fez grande sucesso como os álbuns anteriores, quando em outubro de 1989, após quatro meses de tratamento, o cantor foi levado novamente a Boston, nos Estados Unidos, onde permaneceu internado até meados de março do ano seguinte.
               Para tristeza de uma nação, Agenor de Miranda Araújo Neto, Cazuza, faleceu no dia 07 de julho de 1990 e foi sepultado no cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, curiosamente a sepultura do astro está localizada ao lado de ídolos do cantor, como por exemplo Ary Barroso, Clara Nunes e Francisco Alves.

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